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sexta-feira, 22 de março de 2013

Criativos II



Outro tema que me anda a preocupar tem a ver com a publicidade a velas aromáticas e ambientadores. E aqui, a minha curiosidade é aguçada por questionar o que faz uma mulher libertar toda a sua líbido perante os aromas de uma vela ou de um ambientador. Num anúncio que circula agora, vemos uma mulher acender uma vela aromática, fechar as cortinas, apagar as luzes e deitar-se no sofá a olhar embevecida para a luz da vela, embriagada na essência libertada. E termina...

Ficamos sem perceber se estamos perante um anúncio de televisão ou de um trailer de uma nova produção do canal Playboy. E pode até ser constrangedor se estivermos a assistir a qualquer programa em família e surgir este anúncio. O silêncio ensurdecedor do incómodo perante a atitude da mulher e as suas velas aromáticas e o sem fim de possibilidades sobre o enredo da trama, não deixam ninguém indiferente e silenciam qualquer sala. O porquê deste comportamento perante um objecto que serve puramente para ambientar, deixa-me perplexo. Há vidas muito vazias...

Noutro anuncio, uma mulher decide esvaziar literalmente à bruta o seu spray ambientador pela sala, provocando-lhe, sem espanto, um intoxicamento que a leva a dançar pela sala sem noção do que está a fazer. Aqui vejo a marca da agência da Multiópticas...a mesma tipologia de comportamento originada por acontecimentos supostamente inócuos. Perante o olhar esgazeado do marido que irrompe pela sala no decurso desta dança atabalhoada, a mulher interrompe a sua coreografia e....o anúncio acaba. Mais uma vez, apenas podemos supor o que aconteceu a seguir, mas o horário nobre a que é transmitido o anúncio não nos permite vislumbrar a cena, mas o olhar dela prometia algo que deixaria o marido a precisar de tratamento sério.

Era mesmo necessário recorrer a isto para vender sprays ambientadores e velas aromáticas?

quinta-feira, 21 de março de 2013

Criativos I



Não consigo entender o que vai na cabeça destes criativos. A nova campanha da Multiópticas é só idiota. Senão vejamos: uma jovem entra numa óptica, compra uns óculos e sai de lá aos pulos toda contente a abanar a saia e a rodopiar que nem uma louca. Se a figura podia ser triste, pelo menos o suficiente para alguém a interpelar na rua a perguntar se estava bem ou se precisava de ajuda, o insólito acontece quando um senhor de meia-idade, acompanhado de sua esposa, fica contagiado pela atitude anormal da jovem e, sem noção das consequências para a sua imagem, acha aquele comportamento aceitável e decide enveredar pelo mesmo caminho, entrando na Multiópticas para comprar uns óculos. Não que precisasse, mas a imagem daquela jovem aos pulos, por incrível que pareça, fê-lo aperceber-se que não era má ideia ir comprar uns óculos e começar a dançar na rua embaraçando, ainda por cima, a sua esposa que tinha ficado tranquilamente à espera.

Para quem incredulamente assiste a este deprimente espectáculo, não se percebe, uma vez que o acto de compra não é visivel, se eles entraram numa óptica ou numa loja de venda de cogumelos alucinogéneos e ficaram simplesmente alegres sem razão aparente. O processo de compra de uns óculos novos não suscita este tipo de comportamento em pessoas, supostamente, normais. 

Para mim, os criativos que assinaram esta campanha foram vítima de bullying na escola por usarem óculos, coisa que eu também usei e nunca me senti diminuído, mas cada um lida com os traumas à sua maneira, e quiseram passar a mensagem que usar óculos é coisa gira e que nos deixa num estado de alegria incontida. Agora, imagino apenas que ideia teriam estes senhores para divulgar uma campanha da Super Bock. Se com óculos ficam assim, imagino com cerveja...
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